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Pamplona de Abreu, Dener
Dener Pamplona de Abreu, nasceu em 3 de Agosto de 1936 em Belém do Pará, Brasil. Faleceu em 9 de Novembro de 1978 em São Paulo. Seu pai era jogador de futebol em Ilhéus, Bahia, e tinha o apelido de "Leão Azul". Ao fazer uma excursão para Belém do Pará, conheceu Eponina da Silveira Pamplona, que viria a ser a mãe de Dener. E começou a trabalhar na alfândega na empresa de navegação "SNAPP". Dener passou parte da sua infância em sua terra natal. Até que aos 8 anos de idade a família resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro. Ele costumava passar o tempo desenhando vestidos que inventava para as divas do cinema na época: Greer Garson, Betty Grable, Heddy Lamar e Maria Montez. Ingressando posteriormente no colégio interno "João Lyra". Aos 12 anos trabalhou como secretário de seu tio num laticínio e também foi office-boy em uma companhia de seguros. Numa viagem de ônibus enquanto desenhava seus vestidos, conheceu dona Cândida Fiala, que o apresentou posteriormente a Jacob Pelic, dono da "Casa Canadá", uma casa tradicional de alta-costura do Rio de Janeiro. Aos 13 anos já estava contratado como estilista, recebendo um alto salário para os padrões da época. Sua primeira cliente foi a primeira-dama Sara Kubitschek, esposa do presidente JK. Nesta ocasião, conheceu várias manequins famosas: Helga, Ara, Monique, Maria Gracinda, Vânia Pinto e Danuza Leão. Segundo Dener, "uma manequim tem de ter corpo padrão, onde a gente coloca uma roupa e ela fica perfeita. Tem de saber andar com naturalidade e sobretudo, tem de realçar o que está usando, mostrar que a roupa beneficia a pessoa e não o contrário. Quem está à venda em um desfile é a roupa e não o manequim." Através de Danuza Leão, Dener foi apresentado à Ruth Silveira e recebeu uma oferta de salário o dobro do seu salário na "Casa Canadá". Em seguida criou seu próprio ateliê. Mais tarde Ruth Silveira transformou-se em sua diretora de moda e indústria. Dener transferiu-se para São Paulo e passou para a alta-costura e ao conhecer o Barão de Neuville, uma celebridade relacionada ao mundo da moda e alta-costura européia, este, interessou-se pelo jovem talento e financiou seus estudos pela Europa. Dener, que na seita hindu significa um "avatar" (reencarnação de um deus), sempre foi um personagem polêmico e fazia declarações satíricas como: "A mulher cafona é sempre espalhafatosa, gosta de mostrar o que ela não sabe que devia esconder". / "O Clodovil veste bem o seu tipo de clientela e é útil porque me poupa o trabalho de atender a muita gente para quem eu não poderia criar. E ele vive dizendo que cobra muito caro, até que é mais caro do que eu, o problema é que ele não tem quem pague. Vamos então chegar a um acordo assim: O Clodovil é o que pede os preços mais altos do Brasil. Eu sou o que vende os vestidos mais caros do Brasil. Aí todo mundo está satisfeito." Notabilizou-se também como jurado de tv no Programa Flávio Cavalcanti e afirmava: "Eu sempre tive excelente comunicação com o povo, embora não tenha a menor intenção de ser popular. Não preciso porque não vendo meus vestidos para quem não tem dinheiro, e além disso, não vejo charme nenhum em pobreza." / "Povo é bom por isso, ele não quer ouvir respostas. Só quer perguntar e ter a impressão de que lhe damos alguma importância." Dener foi o primeiro grande estilista brasileiro de fama internacional. Em 1959, ganhou os prêmios Agulha de Ouro e de Platina no Festival da Moda, com Christian Dior como concorrente. Em 1964, recebeu a Palma de Ouro no Festival Internacional da Moda, em Las Vegas, EUA, com um vestido de pedras águas-marinhas naturais. Casou-se em 1965 com a modelo Maria Stella Splendore, com quem teve um casal de filhos: Frederico Augusto (que faleceu em 1992) e Maria Leopoldina. O casamento durou quatro anos. Em 1972, Dener lançou o livro autobiográfico "Dener, O Luxo" - Ed. Laudes. Em 1975, casou-se com Vera Helena Pires de Oliveira Carvalho, com quem ficou pouco tempo. Com a popularização do prêt-à-porter nos anos 70, a alta-costura entrou em declínio e ele não cedeu às mudanças. E ao fim da vida, estava cheio de dívidas e extremamente debilitado, vindo a morrer de cirrose hepática em 1978. João Braga, professor de História da Moda, numa análise sobre os anos 60, assim definiu o período: "Existiam três nomes em evidência na época. Três ídolos: Pelé, Roberto Carlos e Dener." |